Califórnia, novo filme de Marina Person sobre os Anos 80

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Preciso confessar que estou ansiosa para assistir a este filme. Quem viveu sua adolescência ou juventude nos 80, como eu, tenho certeza que vai se ver em muitas situações. Não vejo a hora da estréia.

Entre o som de David Bowie, fitas cassetes, cartas e alguém tentando escutar a conversa do outro na extensão do telefone, de repente é 1984 e Marina Person, 46 anos, revisita sua própria adolescência em ‘Califórnia’. Mas, assim, como primeiro longa de ficção da ex-VJ da MTV recorda o lado bom da década, ele também traz à tona o seu lado obscuro: a descoberta da Aids.

No filme, Caio Blat é Carlos, tio de Teca (Clara Galo), uma adolescente paulistana que sonha viajar para a Califórnia, onde o personagem mora. Mas, os planos mudam quando Carlos volta ao Brasil já bastante debilitado pelo HIV. “Tinha vontade de falar da minha juventude. Em 84, estávamos saindo de uma ditadura de 20 anos, tínhamos a Aids, as bandas de rock brasileiro que floresciam. E eu era uma paulistana que cresci no meio de tudo isso”, conta a diretora, que só se deu conta de que ainda falta consciência sobre o tema após o filme pronto.

“Descobri que casos de jovens infectados cresceram. As pessoas pararam de se cuidar. O que para mim, foi muito chocante”. Foi por isso que ela fez questão de pedir ao Ministério da Justiça que baixasse a classificação indicativa do longa de 16 para 14 anos.

Para Caio, o avanço da contaminação entre essa faixa etária pode ter algumas explicações. “Com a melhora do tratamento da doença, as pessoas acham que não vão mais morrer e as campanhas de prevenção diminuíram. Mas o HIV continua perigosíssimo. Então é bom que os jovens vejam o filme e entendam como tudo começou”, alerta o ator, que chegou aos 55kg para o papel.

Mesmo levantando essa discussão com seu filme, Marina diz que fez o longa pensando nas descobertas universais da adolescência. “A história em si não é autobiográfica, mas tem muito de mim e dos meus amigos. Por exemplo: a Teca é fanática pelo David Bowie e eu era também”, compara ela.

O longa é um Almanaque Anos 80 em formato audiovisual. No cenário e figurino temos clássicos da época como o gravador de fita cassete e os moletons coloridos. Tem também uma trilha sonora de primeira, com hits de bandas como The Cure, Joy Division, Echo & the Bunnymen e as brasileiras Titãs, Kid Abelha e Metrô. O longa acaba de ser exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e estreia no dia 3 de dezembro.

 marina-person-no-set-de-california-seu-primeiro-longa-de-ficcaoMarina Person

californiaCaio Blat e Clara Galo

Texto, fotos e vídeo: Divulgação

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